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domingo, 6 de maio de 2012

A balada de Nelson Rodrigues

Depois de muitas tentativas, aderi, finalmente, a Virada Cultural. Como não sou muito adepto a multidões, achei a proposta do SESC Belenzinho de homenagear Nelson Rodrigues um bom motivo para me jogar na madrugada. Batizado de Uma Balada Para Nelson Rodrigues, o evento celebra o centenário do dramaturgo e marca o primeiro ano em que a Virada traz teatro em sua programação oficial.

Bons motivos não faltavam para seguir ao Belenzinho. Então eu e o Alê não pensamos duas vezes e fomos curtir as várias obras do mais influente dramaturgo do Brasil. Chegando lá nos deparamos com uma cenografia bem legal. Luzes vermelhas e amarelas iluminavam toda a praça de entrada da unidade, onde estavam espalhados vários vestidos de noivas. Nesse cenário eram realizadas várias apresentações. Já no galpão, um tradicional boteco da década de 1950, cenário recorrente na obra e na vida de Nelson, estava agitadíssimo com petiscos, cervejas e caipirinhas. Outras atividades se espalhavam nas salas de espetáculos, área de convivência e comedoria, enquanto imagens de várias montagens teatrais dos textos do dramaturgo eram projetadas no prédio do SESC. Um verdadeiro show.

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Fachada do SESC Belenzinho

Entre as coisas bacanas que assistimos, destaque para a leitura dramática que o Grupo XIX fez para Vestido de Noiva, a encenação de Cibele Forjaz para A Falecida e as intervenções dirigidas por Marcelo Lazzaratto com a Cia Elevador de Teatro Panorâmico, além das leituras dramáticas baseadas em textos de A Vida como ela é, passadas dentro de um ônibus e dirigidas por Luiz Fernando Marques.

Vestido de Noiva

Projeto do Grupo XIX que será montado em 2013, o texto Vestido de Noiva, ganhou leitura especial batizado, na Virada, com o subtítulo A Primeira Prova. Pelo que foi visto vem coisa boa por aí. A agilidade da encenação, a troca constante de papéis e a divisão dos planos com repetição de cenas foram um prato cheio para quem curte um bom teatro. O elenco afiado do prestigiado grupo paulista, dirigido por Luiz Fernando Marques, promete boas surpresas para o ano que vem.

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Eu de olho nos ajustes finais para a leitura de Vestido de Noiva do Grupo XIX

Outra leitura que merece ganhar os palcos é A Falecida, da diretora Cibele Forjaz. Capitaneada pela atriz Isabel Teixeira, a encenação ganhou um charme especial com os atores reunidos numa roda de samba puxados pela voz de Celso Sim. O ator Paschoal da Conceição e a atriz Mariana Senne, em participações especiais, deixaram a leitura mais leve e divertida.

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Mariana Senne e Isabel Teixeira na encenação de A Falecida (foto de Roberto Setton)

A maratona acabou às 6 horas da manhã com o dia chegando e um delicioso café da manhã temático – mais uma homenagem a Nelson – no próprio SESC Belenzinho. Um pingado em copo americano, suco de laranja, pão na chapa com manteiga, geléia e bolo de fubá com amêndoas por apenas R$ 9,00.

Acredito que a iniciativa foi bem sucedida e que o SESC promova na próxima Virada Cultural outras atividades com sua assinatura que é sinônimo de qualidade, comprometimento e sucesso.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

As 6 horas e meia de O Idiota

Você é feliz? Pode-se dizer que essa simples pergunta é o ponto de partida do espetáculo O Idiota. A obra de Fiodor Dostoiévski, levada aos palcos pela diretora Cibele Forjaz, em seis horas e meia de duração, já é um clássico do teatro paulista. A montagem, em cartaz até 27 de fevereiro no SESC Pompéia, pode ser vista em capítulos, em dias diferentes ou de uma vez só.

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Optei pelo intensivão e numa quarta-feira lá estava eu às 19 horas no SESC Pompéia embarcando nessa agradável viagem. A peça, que aposta na interatividade e num tom mais emotivo, nos apresenta uma história cheia de humor, mistério e romance, ou seja, um verdadeiro folhetim. O Idiota fala sobre a viagem de Míchkin, um príncipe sem dinheiro que regressa à Rússia para procurar uma parente distante após uma temporada na Suíça para tratar de sua epilepsia. No trem que o leva a São Petersburgo, seu destino se cruza com o do impetuoso Ragôjan, um homem bruto recém-enriquecido, apaixonado pela sedutora Nastássia Filípovna, por quem o jovem príncipe também se apaixona, além de se envolver com a sonhadora Aglaia.

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Apesar das seis horas e meia de duração (com dois intervalos, um de meia hora e outro de 15 minutos), o passar do tempo quase não é sentido, pois a montagem exige que o público se desloque, quase constantemente pelo espaço (há vários cenários, fixos e móveis). Nesse vai e vem de cenários, o público mergulha na história e participa da atmosfera do espetáculo, como na primeira cena quando público e atores se misturam dentro de um trem ou quando entramos numa cozinha com direito a  vários cozinheiros preprando alimentos e na festa de aniversário de Nastássia quando o público recebe uma taça de espumante para brindar.

Apesar de toda essa interatividade o ponto alto da montagem é o texto genial de Dostoiévski, que aborda os jogos de poder, dinheiro, sexo e conveniências numa sociedade violenta e corrupta. A direção precisa de Cibele Forjaz é de uma força extraordinária e o elenco dá conta do recado, com ênfase no trio feminino – Lucia Romano, Luah Guimarãez e Sylvia Prado – que dão um show a parte e botam os homens no chinelo. O destaque fica para as cenas finais. A do trepa-trepa (isso mesmo, aquele brinquedo de parques infantis) que faz a vez de um hotel é sensacional.

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O espetáculo acabou quase às 2 da manhã e valeu a pena. Após esse turbilhão de emoções fui para casa tranquilo, confesso que cansado, mas como uma convicta certeza: Eu sou feliz!

O crédito das fotos é de Lenise Pinheiro